A Perturbação Específica da Aprendizagem, nas esfera da leitura, escrita e matemática pode trazer desafios significativos no percurso escolar, mas pequenas adaptações consistentes podem fazer uma grande diferença no dia a dia.
Apresentamos estratégias simples, orientadas para professores, famílias e técnicos, que podem ser aplicadas de forma complementar nos três domínios fundamentais: leitura, escrita e matemática.

Na esfera da Leitura, podemos usar:
Ensino fonológico estruturado – Seria importante que a criança tivesse acesso a atividades que reforcem a correspondência entre letras e sons, através de jogos auditivos, rimas, segmentação e manipulação de sílabas. Este treino ajuda a consolidar a descodificação.
Leituras guiadas e repetidas – A leitura acompanhada por um adulto, seguida de leituras repetidas do mesmo texto, pode contribuir para melhorar a fluência e a confiança. É uma estratégia simples, mas altamente eficaz.
Apoios visuais e tecnológicos – Poderá ser útil recorrer a audiolivros, software de leitura assistida ou textos ampliados, de modo a reduzir a sobrecarga e facilitar a compreensão.

Na esfera da Escrita, podemos recorrer ao:
Treino explícito da ortografia e da estrutura textual – Seria importante que a criança tivesse acesso a exercícios orientados para regras ortográficas, construção de frases e organização de ideias, usando exemplos simples e progressivos.
Escrita com apoio de tecnologia – A utilização de computadores, corretores ortográficos ou programas de ditado por voz pode reduzir o esforço motor e permitir que a criança se concentre no conteúdo da mensagem.
Desenvolvimento da motricidade fina – Algumas crianças beneficiam de atividades que reforçam o controlo grafomotor, como traçados, desenho guiado, puzzles ou exercícios de coordenação óculo-manual.
Na Perturbação da Matemática, poderemos:
Uso de materiais concretos – Manipuláveis como cubos, objetos reais, contas ou figuras ajudam a transformar conceitos abstratos em experiências visuais e táteis, facilitando a compreensão numérica.

Estratégias passo a passo – Seria importante que a resolução de problemas fosse dividida em pequenos passos: ler, identificar dados, escolher operação, verificar o resultado. Esta rotina reduz a ansiedade e aumenta a autonomia.
Prática em contexto do quotidiano – Exemplos reais — cozinhar, comparar preços, medir ingredientes, contar objetos — podem tornar a matemática mais funcional e significativa para a criança.
Pequenas estratégias consistentes podem transformar profundamente a experiência escolar de crianças com Perturbações Específicas da Aprendizagem. A chave está na adaptação, na paciência e na colaboração entre família, professores e técnicos, garantindo que cada criança encontra um caminho que respeita o seu ritmo e forma de aprender.