As birras surgem sem avisar: quando e onde?

Hoje, baseando-nos no livro de Mário Cordeiro, O Grande Livro dos Medos e das Birras, iremos debruçar-nos sobre os contextos onde as birras acontecem sem avisar.

As birras são, na maioria das vezes, momentos desesperantes para os pais e restantes cuidadores. Momentos estes, nos quais a criança pretende impor a sua vontade a todo o custo remetendo, por vezes, para um estado de omnipotência do bebé, inerente à fase do desenvolvimento humano, dos 9-18 meses. É suposto ao nível desenvolvimental, que a criança vá adquirindo algumas competências, com a ajuda dos pais, tais como:

  • Respeito
  • Empatia
  • Solidariedade
  • Gestão da frustração.

Mas durante este percurso em construção… As birras podem surgir em diversos contextos e quando não vem nada a calhar!

 

Hora do banhobanho

Tomar banho reflecte uma das tarefas rotineiras da criança, sendo as rotinas necessárias e securizantes! Mas significa também menos tempo para brincar! Se pensarmos no tempo que é despendido para tal tarefa… despir, vestir, secar o cabelo, etc.

Sugestões:

  1. Ter atenção à temperatura da água: As crianças não gostam todas da mesma temperatura (tal como os adultos!);
  2. Temperatura exterior: Mudanças bruscas de temperatura e uso do secador no Inverno, pois não é agradável ficar com a cabeça a arrefecer;
  3. As espumas dos champôs e sabonetes: Podem causar uma sensação de desconforto e falta de controlo, ao tapar os olhos. Será importante prevenir a criança quando se irá pôr o champô, colocar na mão dela, participando ativamente na tarefa;
  4. Pentear: Como um momento de ternura e brincadeira.

 

Hora da refeição Alimentação

“Prolongamento das refeições para lá do que é razoável” (p. 235):

O ganho da criança nestas situações é ter os pais “em exclusividade”. Porém, pode ser exasperante para os pais! Este tipo de registo revela-se pouco ajustado e em nada beneficia um crescimento e autonomização saudável da criança, bem como, aprender a relacionar-se com o outro de forma equilibrada.

Sugestões:

  1. Ajudar nas compras, a escolher legumes e fruta: A criança ao sentir-se parte ativa neste processo, sente-se “gente crescida” e respeitada pelo adulto;
  2. Ensinar para motivar: Explicar a importância da variedade, cor e textura dos alimentos, encarando o momento como algo pedagógico e divertido;
  3. “Ajudante”: Nomear a criança seu ajudante para arrumar os alimentos, explicar-lhe quais irão para o frigorífico, onde se guardam, etc;
  4. Ao cozinhar: Permitir que a criança observe a preparação dos legumes, ensinar porque se juntam outros ingredientes (azeite, sal, …).

 

Hora de vestiratar sapatos

  • “Não me quero vestir!”
  • “Esta camisola pica!”

Para os pais que se deparam com todo o stress de um início de dia, entre acordar as crianças, vesti-las, despachá-las para a escola e contar ainda com o tempo de trânsito que os pais irão enfrentar…

Sugestões:

  1. Explicar o porquê de vestir determinada roupa: Adequando ao clima (lama, chuva), às atividades (desporto, ir a casa de alguém). Por exemplo, ajudar a criança a pensar o que fará num parque, que se andar de escorrega necessita de roupa que facilite deslizar; ou em chão de areia usar calçado que seja fácil de tirar;
  2. O tempo escasseia: Uma criança não possui a mesma destreza manual que um adulto e encontra-se ainda a consolidar algumas competências. Quando a criança está a demorar muito tempo a concretizar uma tarefa e exige fazê-la sozinha, o adulto pode dizer algo como “sei que gostas de te calçar sozinha e que gostas de fazer bem feito. Mas como estamos com alguma pressa agora, que tal combinarmos logo depois da escola tu desatares e atares os atacadores, por exemplo, umas 10 vezes?”
  3. Autonomização no vestir: De manhã, para além de se deparar com um sono interrompido, ter em conta que pedir à criança que vista as cuecas e as meias são, no fundo, 3 tarefas que ela terá de fazer (vestir as cuecas e cada meia). Ir introduzindo gradualmente tarefas que a criança consiga de facto concretizar, sendo realistas, consoante o tempo que os pais disponham;
  4. Tipo de pensamentos a evitar partilhar com a criança: Que menosprezem as capacidades da criança em conseguir concretizar ou que a exponham perante outros adultos/ crianças.

 

Estas orientações são apenas sugestões para cada um explorar o que melhor se adequa às suas características pessoais e das suas crianças.

Poderá encontrar outras no O Grande Livro dos Medos e das Birras  de Mário Cordeiro.

Boas leituras e boas práticas!