Tendo em conta o tema falado a semana passada sobre Disartria, hoje iremos explorar em pormenor os alguns Tipos de Disartria existentes e amanhã outros.
Segundo Barroco (2008) a Disartria é sub dividida em cinco tipos (que iremos falar hoje):
| Atáxica | Flácida | Espástica | Hipercinética | Hipocinética |
Ribeiro e Ortiz (2009), acrescentam mais dois tipos de Disartria (que iremos explorar amanhã):
| Neurónio motor superior lateral | Mista |
Quais as características que identificam e diferenciam cada Disartria?
A Disartria do tipo Atáxica carateriza-se por:
- músculos afectados hipotónicos (tonús fraco / mole);
- lentidão dos movimentos;
- voz áspera, monótona com poucas variações de intensidade, (parecido com o discurso de um “bêbedo”);
- variações na prosódia;
- imprecisão articulatória (velocidade de fala lentificada, tremor de lábios e língua);
– Associado a lesões cerebelares ou de vias que conectam o cerebelo ao Sistema Nervoso Central.
A Disartria do tipo Flácida carateriza-se por:
- diminuição do tonús, flacidez (perda da massa muscular) ou paralisia muscular;
- alteração do movimento voluntário, automático e reflexo;
- voz soprosa, rouca acompanhada de hipernasalidade;
- impresição nas consoantes;
- incompetência fonatória, alteração na ressonância e na prosódia;
– Associado a lesões do neurónio motor inferior, por exemplo: Miastenia Gravis Paralisia Bulbar.
A Disartria do tipo Espástica carateriza-se por:
- tonicidade excessiva (tonús muscular rígido);
- voz tensa-estrangulada acompanhada com hipernasalidade, espasticidade e reflexos musculares anormais;
- impresição nas consoantes e vogais distorcidas;
- incompetência articulatória, de ressonância e alterações prosódicas.;
– Associada a uma lesão neurónio motor superior ou a outras patologias, como a disfagia, labilidade emocional e Traumatismo Craneano Encefálico.
A Disartria do tipo Hipercinética carateriza-se por:
- voz áspera;
- imprecisão articulatória, distorção na articulação das vogais;
- alterações na prosódia acompanhado de tremor e ritmos irregulares;
- movimentos involuntários rápidos;
- incompetência dos ressonadores
– Associada à lesão do sistema extrapiramidal, principalmente nos gânglios da base (Coréia apresenta excesso de Dopamina), Atetose e Distonia.
A Disartria do tipo Hipocinética carateriza-se por:
- voz rouca, soprosa e trémula;
- imprecisão articulatória acompanhada de alteração da velocidade da fala, tremor de lábios e língua);
- diminuição da prosódia e alteração da fonação;
- inteligibilidade da fala e articulação (disfluência);
- Está associada à doença de Parkinson – Diminuição da prosódia.
– Associada à lesão nos gânglios da base responsáveis pelo plamenamento do movimento, ou surge em caso de doença de Parkinson.
Boas Leituras!
Referências Bibliográficas
Barroco M., (2008). Articulação em Disartria pós-TCE – Análise Acústica,Dissertação apresentada à Universidade de Aveiro
Ferreira, L.; Befi-Lopes, D. & Limongi, S.(2004). Tratado de fonoaudiologia. São Paulo: Roca.
Murdoch, B. (1997). Desenvolvimento da fala e distúrbios da linguagem. Editora Revinter.
Ribeiro, A. & Ortiz, K., (2009). Populational profile of dysarthric patients assisted in a tertiary hospital. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2009;14(3):446-53