Disgrafia

A disgrafia é uma problemática bastante recorrente na salas de aula. Meninos chamados de “desajeitados” que seguram de forma estranha nos lápis e nas canetas, não conseguem respeitar as linhas da folha e cujas letras têm formas bastante alteradas relativamente ao seu padrão original com tamanhos variáveis.

A disgrafia deriva das palavras “dis” (desvio) + “grafia” (escrita). A criança com disgrafia pode apresentar dificuldades no desenho ou no grafismo da letra (“má letra”), na ordenação correta ou na ortografia das letras de forma a criar/escrever palavras, na pontuação, na correcção gramatical e na elaboração e organização de textos.

As crianças começam desde cedo a quererem exprimir-se através da escrita,  sendo assim, a realização motora da escrita coincide com a maturação do sistema nervoso central e periférico, com o desenvolvimento psicomotor geral, que raramente é atingido antes dos 5 anos.

Assim, a criança deve desenvolver determinados requisitos ao nível da escrita:

  • capacidades psicomotoras gerais: 
    uma boa coordenação óculo-manual, um correto desenvolvimento da motricidade fina, um bom esquema corporal, espacial, boa lateralidade, um correto reconhecimento do espaço, formas e distancias e uma boa capacidade de inibição e controlo neuromuscular de forma a que a criança seja capaz de efectuar os
  • escritamovimentos necessários para a escrita das letras;
  • coordenação funcional da mão:
    os movimentos de pressão e preensão e a independência mão-braço
  • hábitos neuromotores correctos e bem estabelecidos:
    a visão, a transcrição da esquerda para a direita, e o posicionamento correto do lápis.

A disgrafia pode apresentar alguns sinais de alerta típicos, aos quais devemos estar atentos:

  • traços exageradamente grossos ou finos e pequenos ou grandes;
  • ritmo de escrita excessivamente rápido ou lento;
  • letras separadas, sobrepostas ou ilegíveis, com as ligações distorcidas;
  • postura gráfica incorrecta (dificuldade em utilizar correctamente o lápis/caneta com que escreve);
  • caligrafia, geralmente, inclinada.
  • letra excessivamente pequena ou grande;
  • forma das letras irreconhecível (por vezes podem distorcer, inclinar);
  • grafismo trémulo ou com uma marcada irregularidade, originando diferentes tamanhos de grafemas;
  • espaçamento irregular das letras ou das palavras;
  • erros ou borrões;
  • realização inversa dos traçados de algumas letras/números;
  • desorganização geral na folha
  • utilização incorrecta do instrumento com que escrevem;

Importa contudo salientar, que a confirmação do diagnostico deve ser efectuado por profissionais especializados, pois requerem procedimentos específicos.

Boas leituras!

Referências bibliográficas:
http://uptokids.pt/
https://neurosaber.com.br/como-trabalhar-com-criancas-com-disgrafia/
http://www.itad.pt/tratamento-de-psicologia/disgrafia/