T.I. Caixas e a sua utilidade

Hoje vamos falar de caixas e a sua utilidade na prática clínica!

Caixas

As caixas não servem só para os gatos entrarem lá dentro ou guardamos materiais. Podemos também usa-las em diferentes áreas da nossa prática clínica.

O ser humano usa as caixas para arrumar algumas coisas, sejam de carácter mais privado ou meramente utilitário. E nesse sentido acabamos por usar as caixas para promover movimentos reparadores que poderão ajudar a criança ou o adulto a lidar com determinadas situações que possam ser mais angustiantes.

Neste sentido apresentamos alguns exercícios com o recurso à caixa:

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A caixa da despedida

Quando perdemos alguém, é normal passarmos por um período de luto, que poderá levar algum tempo, dependendo da pessoa.

Durante este processo é usual a recomendação de construir ou adaptar uma caixa com pequenas lembranças da pessoa que partiu, sejam fotografias, escritos, objectos simbólicos, que possam ajudar viva a memória da pessoa.

Este tipo de caixa é ideal para ser feito por qualquer faixa etária, no caso da criança será importante ser feito com o apoio de um adulto e colocado num ponto de fácil acesso, para facilitar o acesso sempre que as saudades apertarem.

 

A caixa do Medo

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Quando as crianças são mais pequenas e têm algum medo, podemos ajuda-las construindo com elas uma caixa que poderá guardar um medo seja palpável ou escrito.

Antes da caixa precisamos de dar corpo ao medo podendo recorrer a um desenho ou a plasticina para fazer um corpo a 3D.

Depois escolhemos uma caixa que possa ter um fecho para o trancarmos lá dentro. A cada sessão vamos retirando um bocado de plasticina ou papel para ajudar a diminuir o medo, de forma que possa ser mesmo desaparecer tanto fisicamente como psicologicamente.

 

A caixa das Preocupações

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Nos mais pequenos, as caixas podem guardar também preocupações, podendo ser escritas quando as crianças já andam na escola, ou desenhadas quando as crianças ainda estão no jardim de infância.

Cada uma das preocupações é colocada por um período de tempo, para ajudar a aliviar a cabeça e o coração. Trabalhamos com a criança que na sessão seguinte será importante falarmos da preocupação e das várias formas como resolve-la e as suas consequências.

Isto irá ajudar a criança a organizar-se mentalmente e emocionalmente que tudo tem o seu tempo para ser resolvido, que apesar de ser uma preocupação, poderemos fazer um plano para que ela diminua após percebermos como podemos resolve-la. E nesse processo não precisa de estar sozinho.

 

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A caixa da Memória

As caixas da memória, são excelentes exemplos de lembranças que guardamos de determinados momentos felizes, tristes, intensos, que representam em muito as nossas lutas ou momentos de bem estar.

Algumas das lembranças que guardamos podem relacionar-se com a infância, como uma viagem que possamos ter feito num momento da vida. Também podem conter segredos sobre algum aspecto da vida, que possam ter vergonha ou receio do que outros possam pensar.

São caixas privadas que guardamos em lugares de difícil acesso para salvaguardar a intimidade de cada um.

 

Todos estes exemplos, ajudam a criança e ao adulto a arrumar temas que possam gerir uma maior preocupação, medo ou tristeza, e dar um sentido às suas ideias como emoções de um determinado momento da sua vida.

É importante compreender que nem sempre estamos disponíveis para elaborar as caixas, e elas precisam de tempo e emoção para pensarmos como arruma-las.

Quando o tempo chega, arrumam a caixa e o sentimento de leveza instala-se na pessoa.

 

Experimente arrumar a sua caixa ou ajudar a arrumar!

Boas terapias