Editorial – Liberdade

Abril é um mês de um grande simbolismo nacional, uma ideia romântica de que a liberdade surgiu num dia pelos cravos vermelhos espalhados entre os soldados, pelas ruas da cidade de Lisboa.

Passado estes anos, não só a cidade de Lisboa como o país sente a necessidade de liberdade, seja pela possibilidade de caminharmos para qualquer local, como pela necessidade sairmos sem hora marcada e sem destino traçado.

Neste segundo desconfinamento que ocorre a velocidades distintas, provoca em cada um de nós, a permanente sensação de impotência e um aumento gradual do sufoco por não passar este tempo mais obscuro da nossa existência.

A sensação libertadora do 25 de abril de 1974 foi avassaladora para quem viveu de perto as amarguras de uma ditadura, contudo o projecto de um país livre e independente esfumou-se nas brumas da história, e surgiu o país possível.

Nesta liberdade à prestações que nos vão dando, sabemos racionalmente que é o possível, contudo a emoção que cresce no peito, alimenta a ideia de que poderia ser diferente…

Entre a razão e a emoção vivemos a noção da liberdade, antes e durante a pandemia, contudo quantas vezes realmente a sentimos?

Boas reflexões e um excelente mês de Abril!