Hoje vamos falar do livro O meu avô consegue voar. Uma história escrita por Pedro Seromenho e coma ilustração de Paulo Galindro. Este livro aborda a viagem anual de um neto para passar as férias grandes com os seus avós, no sul do país, mais concretamente em Vila do Bispo, Algarve.
| Nome | O meu avô consegue voar |
| Marca | Paleta de Letras |
| Local | Bertrand, FNAC, Wook, Almedina |
| Custo aproximado | 7€ a 12€ |

Recomendado dos 6 aos 10 anos.
Este livro permite trabalhar inúmeras competências, nomeadamente:
- Vocabulário emocional
- Carinho
- Memória
- Imaginação
- Resiliência
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Intervenção terapêutica, âmbito familiar e escolar
Mais do que uma narrativa sobre férias de verão, O meu avô consegue voar convida-nos a entrar no universo afetivo das relações entre avós e netos, onde a imaginação, a ternura e a memória assumem um papel central. Através do olhar da criança, o avô surge como uma figura quase mágica, capaz de feitos extraordinários, revelando a forma como as crianças tendem a idealizar aqueles que lhes transmitem amor, segurança e presença.
Em contexto terapêutico, esta obra poderá ser uma ferramenta importante para explorar vínculos familiares, memórias felizes da infância e o significado das figuras cuidadoras na construção emocional de cada pessoa. Muitas vezes, os avós representam porto seguro, sabedoria e tempo de qualidade, sendo elementos fundamentais no desenvolvimento da autoestima e do sentimento de pertença.
O livro poderá igualmente ser utilizado para trabalhar temas como a saudade, a distância geográfica entre familiares, o envelhecimento e até o luto, dependendo da história de vida de cada utente.
A leitura partilhada desta narrativa poderá facilitar a expressão de emoções associadas a perdas, mudanças familiares ou recordações significativas. Para crianças, a história permite estimular a imaginação, valorizar os laços intergeracionais e promover conversas sobre quem são as pessoas importantes nas suas vidas. Para adultos e pessoas idosas, poderá despertar memórias autobiográficas, histórias de infância e reflexões sobre o legado emocional transmitido entre gerações.


Atividades terapêuticas inspiradas no livro
Depois da leitura de O meu avô consegue voar, poderão ser desenvolvidas algumas atividades em contexto terapêutico, escolar ou familiar, promovendo a expressão emocional, a valorização das relações significativas e a construção de memórias positivas.
As pessoas que me ajudam a voar – Convidar a criança, jovem ou adulto a refletir sobre quem são as pessoas que lhe transmitem força, segurança e confiança nos momentos mais difíceis. Poderá ser realizado através de desenho, escrita ou conversa em sessão.
Questões para reflexão:

- Quem me ajuda quando estou triste ou preocupado?
- Quem acredita em mim?
- Quem me faz sentir capaz?
- Como demonstra essa pessoa o seu carinho?
Esta atividade poderá ser importante para reforçar a perceção de suporte emocional e identificar figuras de referência na vida do utente.
Mala das memórias felizes – Imaginar uma viagem até um lugar especial e pensar que apenas seria possível levar uma mala cheia de memórias felizes.
A pessoa poderá desenhar, escrever ou partilhar momentos positivos vividos com familiares ou pessoas importantes.
Questões para reflexão:
- Que recordação gostava de guardar para sempre?
- O que tornava esse momento especial?
- Como se sentia nessa altura?
- Há algo que gostaria de voltar a viver?
Esta proposta poderá ser útil no trabalho relacionado com saudade, luto, autoestima e fortalecimento emocional.
Carta a alguém especial – Convidar a escrever uma carta a um avô, avó ou outra pessoa significativa. A carta poderá ser entregue, guardada ou simplesmente lida em contexto terapêutico.

Sugestões de início:
- Obrigado por…
- Aprendi contigo que…
- Nunca me esqueço de…
- Gostava de te dizer…
Esta atividade poderá facilitar a expressão de afetos, emoções por dizer e o reconhecimento da importância de determinadas relações ao longo da vida.
O meu avô consegue voar relembra-nos que muitas vezes são os pequenos momentos, os gestos simples e a presença genuína que permanecem na memória emocional de uma criança. Em terapia, trabalhar estas vivências poderá ser uma forma importante de promover segurança interna, pertença e ligação afetiva entre gerações.
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Num tempo em que tantas rotinas familiares vivem apressadas, O meu avô consegue voar recorda-nos que, por vezes, os momentos mais simples — uma conversa, uma brincadeira, umas férias em família — podem transformar-se nas memórias mais valiosas de uma vida.
Boa leituras e explorações.