Como Deixar a Fralda

Hoje iremos abordar o desafio dos pais em auxiliarem a criança a deixar a fralda!

O stress é muito nesta fase. Em casa não houve problemas, mas sim quando saía à rua, não sabia se havia de colocar fralda, se cuecas para a transição… Levava sempre 3 mudas de roupa, pelo sim pelo não!”

“A altura das férias de Verão é facilitadora… a criança veste menos roupa, está menos frio, para o caso de ficar molhada… está, portanto, mais à vontade.”

“É necessário muito tempo, muita paciência… tentar que verbalizem o que estão a sentir… Criar rituais sempre à mesma hora para criar o hábito.”

Testemunhos de duas mamãs da Latitudes

penicoO controlo dos  esfíncteres (urinário e anal) e da aquisição da higiene na criança ocorrem segundo a influência de vários domínios:

  1. Neurofisiológico
  2. Cultural
  3. Relacional

1.Neurofisiológico: Acontece a passagem de um comportamento reflexo automático para um comportamento voluntário controlado, tendo em conta o desenvolvimento da motricidade vesical (1).

2.Cultural: Associado à aprendizagem da higiene da criança, cuja pressão/rigidez exercida sob a criança varia consoante culturas.

3.Relacional: Corresponde à díade mãe-criança, na medida em que o processo de controlo esfincteriano acarreta uma carga afetiva (positiva ou negativa) ligada ao conteúdo do próprio corpo da criança. Por exemplo, associado ao ato de expulsão das fezes pela criança estará um investimento da mãe que manifesta satisfação face ao progresso e autonomia da criança ou, por outro lado, um sentimento de repugnância aquando da receção das fezes pela mãe. Neste sentido, a forma como a criança irá lidar com esta situação nova na sua vida dependerá da forma como a mãe reage face à mesma.

Período de maturação fisiológica:

Considera-se que o período de aquisição da maturidade fisiológica referente ao controlo da urina se situa entre os 3 e os 4 anos. Sendo que o período de maturação de controlo dos esfincteres anais se situa entre os 2 e os 3 anos.

Estratégias para o desfralde que possibilitem à criança sentir-se confortável e acolhida:fraldas

  • Bacios (2): Há bacios pouco confortáveis cujas bordas podem magoar.
  • Adulto por perto: Vigiar a criança no bacio, para que se sinta segura e evitar quedas e sustos desnecessários.
  • Posição da criança no bacio: Será aconselhável a criança estar numa posição que facilite a abertura dos esfíncteres (e.g. pernas esticadas não ajudam).
  • Proteger a intimidade da criança: Este momento de intimidade da criança enquanto está no bacio, no “faz-não faz”, deverá acontecer num local não social (e.g. casa de banho) de forma a não a expor e poder dificultar o processo.
  • Redutor para a retrete: Poderá ser uma possibilidade para adequar as dimensões da retrete à criança, apesar de não suprimir o medo de olhar para o vácuo e sentir que pode “ir por água abaixo”.
  • Posição da criança na retrete: Será importante ter atenção à posição da criança enquanto está na retrete, facilitando uma posição de costas direitas e verticais.
  • Banco de apoio: Para ajudar a criança a apoiar as pernas enquanto está na retrete, para evitar que o rabo fique pendente e, deste modo, quando a criança fizer força para evacuar não haver o reflexo de constrição do esfíncter, fechando o ânus. Para além do conforto, evitará que aconteça este reflexo.
  • Poder-se-ão utilizar estímulos para a criança (e.g. cuecas do Faísca): Desde que surjam associados a conotação positiva que  façam ver à criança que ela conseguirá um dia deixar a fralda e irá sentir-se bem, mais crescida. Não implica, portanto, qualquer tipo de chantagem se a criança não conseguir.coco
  • Livro com história: Ler uma história à criança sobre temática em questão, com personagem com a qual a criança se possa identificar e ser facilitador para uma maior segurança e confiança.

 

Até breve!

 

Referências bibliográficas:
(1) Marcelli, D. (2005)
(2) Cordeiro, M. (2011)