Emoções e a construção da Identidade

Quando António Damásio publicou o seu último livro, apresentou a construção da história das emoções desde os corpos unicelulares, mais conhecidas por bactérias.

Damásio divide o livro em três partes distintas:

  • A vida e a sua regulação;
  • A montagem da mente cultural;
  • A mente cultural em acção;

A sua revisão bibliográfica passa por alguns autores como Paul Rainey que fala como ocorreu a evolução da cooperação e o conflito nas populações de bactérias num contexto laboratorial.

Neste contexto seria esperado que cada bactéria pudesse lutar pelos seus recursos, eliminando os seus opositores, contudo o que se verifica é um conjunto de comportamentos que potenciaram a cooperação entre os diferentes corpos unicelulares de forma a garantir a sobrevivência do grupo em detrimento da conquista do mais forte.

Estas experiências testadas pelo biólogo Finkel, permitiu que ao longo de 12 mil gerações de bactérias pudéssemos compreender que algumas noções como a cooperação, isolamento, altruísmo, manipulação entre outros comportamentos necessários para garantir a sobrevivência à longo prazo,  permitiu compreender que o comportamento social, teve uma origem mais humilde e mais funcional.

Nesta linha de pensamento, Damásio apresenta a evolução e ponto de comparação dos comportamentos sociais humanos com os comportamentos sociais de insectos, nomeadamente as formigas, abelhas, vespas e térmitas. celula

Neste ponto, a sua reflexão foca-se na divisão de trabalho entre os diferentes animais, de forma a cada uma se especializar-se e assegurar uma determinada função, com o objectivo primordial de ajudar a garantir a sobrevivência da comunidade.

É compreendido e admirado tanto por Damásio como por muitos cientistas, como estes animais conseguem construir uma comunidade, assegurando as condições mínimas de habitabilidade, garantindo abrigo, respeitando o tráfego dentro da comunidade como assegurando a  ventilação e remoção dos resíduos e excedentes, entre outras especialidades.

Contudo num dado momento temos a semelhança, no outro compreendemos a distância que nos separa dos insectos sociais. Todos estes animais fazem os seus comportamentos como forma a assegurar a propagação da espécie, não sentindo qualquer emoção por perda ou desaparecimento de um animal da sua comunidade, assumindo-se como um esquema fixo. Segundo E.O. Wilson, compreende-se uma postura robotizada.

E nesse momento assume-se uma distância face aos humanos, estes últimos interrogam-se!

E surge a capacidade de pensar sobre esta construção da identidade ao mesmo tempo que ocorre a compreensão da emoção na base da evolução humana.

 

Até ao próximo artigo!