Desenvolvimento H. O que é Vinculação?

– Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita…
– Sou uma raposa, disse a raposa!
– Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste…
– Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
– Ah! desculpa, disse o principezinho.Materno

Após uma reflexão, acrescentou:
– Que quer dizer “cativar”?
(…)
– Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer “cativar”?
– É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa “criar laços…”
– Criar laços?
– Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo…
(…)
– A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa.
– Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto…

No dia seguinte o principezinho voltou.
– Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração…

Le Petit Prince de Antoine de Saint-Exupéry

 

Um pouco de história e enquadramento

Este pequeno excerto do livro de Saint-Exupéry, ajuda a compreender o real significado da vinculação, a importância dos rituais, da comunicação não verbal, da presença, para que se estabeleça uma relação de confiança e afecto.Pais

A Teoria da Vinculação desenvolveu-se dos estudos que o médico Jonh Bowlby, realizou no pós II Guerra Mundial, na compreensão do comportamento de 44 jovens delinquentes e a influência da família na construção da sua personalidade.

Paralelamente estava a ser estudado por  Harry Harlow, os efeitos da separação maternal e o isolamento social, nos macacos Rhesus, originando uma maior reflexão por parte de Bowlby, sobre as diferentes relações entre um acontecimento muito precoce na vida da criança/cria e as consequências no estabelecimento das relações ao longo da sua vida.

A consolidação da sua teoria, foi realizada com o apoio da aluna e mais tarde colega Mary Ainscorth, estudando no Uganda a relação entre a separação e o desmame e o impacto na vida das crianças. Acabando por definir 5 fases para uma base segura de vinculação.

Numa primeira fase estudou-se o impacto da presença versus ausência da mãe, contudo nos últimos anos, começou a ser dado ênfase ao pai.

 

No próximo artigo, falaremos destes conceitos com mais pormenor!

Boas leituras!